MULHERES NA POLÍTICA: Mulheres líderes, executivas e intelectuais falam em evento seminário; ministra Bucchianeri diz que mulher tem que entrar na grande política e permanecer lá
Veja os números
( Publicada originalmente às 13h 31 do dia 18/10/2021)
(Brasília-DF, 19/10/2021) Durante a manhã desta segunda-feira, 18, no evento “Mais mulheres na política, sem violência de gênero. Elas podem, o Brasil precisa”, seminário virtual em que é discutido o papel das mulheres na política realizado pelo Tribunal Superior Eleitoral(TSE) um grupo de quatro mulheres referência no processo de inclusão das mulheres na cena pública fizeram apresentações.
O painel Mulheres pela Democracia reuniu Djamila Ribeiro, professora, filósofa e escritora; Aline Osorio, secretária-geral do Tribunal; Maria Claudia Bucchianeri, ministra do TSE; e Nina Silva, executiva e fundadora do Black Money, movimento pelo empreendedorismo da comunidade negra. A discussão foi moderada pelo presidente do Tribunal, ministro Luís Roberto Barroso.
Para Djamila Ribeiro, pensar a diversidade é simplesmente reconhecer a pluralidade humana.
“Se mulheres negras existem, mulheres brancas existem e homens negros existem, nós também deveríamos participar das decisões deste país. É no sentido de reconhecimento da própria pluralidade humana, e não como se nós fossemos específicos em um lugar que não reconhece toda essa pluralidade”, disse.
A executiva Nina Silva frisou que é dever de todos falar das mulheres que precisam ocupar espaços e precisam ter fomentos para que possam ter uma candidatura real, com apoio financeiro e com capital social. “Quando falo de Black Money, em girar o dinheiro negro dentro da comunidade por mais tempo, falo que o mesmo deve ser feito dentro de diferentes grupos que sofrem exclusão e genocídio diário”, disse.
Autonomia
Segundo Aline Osorio, a sociedade deve refletir sobre a igualdade de oportunidades. “Democracia é autogoverno, é autonomia, e não heteronomia. Significa que as pessoas têm que ser, ainda que pela via da representação, autoras das decisões que impactam a sua vida, e não súditas ou subordinadas.”
Para exemplificar o impacto feminino na qualidade da democracia, ela citou que apenas quando duas mulheres passaram a integrar a Suprema Corte dos Estados Unidos (Sandra O'Connor e Ruth Ginsburg) o colegiado decidiu sobre um caso de discriminação de gênero.
A ministra do TSE, Maria Claudia Bucchianeri falou da etapa seguinte à da sub-representação: a violência política.
“Estar à margem, mesmo fazendo parte. Manter-se lá, sentir-se parte daquele processo e dona daquele espaço. E aqui eu falo desse fenômeno de desqualificação feminina, de conotação sexual e perseguição da imagem”. Para complementar, ela ressaltou que “precisamos enfrentar as duas frentes: a da entrada no jogo, o grande jogo da política, de tomada de decisões; e a da permanência. Se não admitirmos mais comportamentos como esse, haverá um impacto transformador na nossa sociedade”.
( da redação com informações de assessoria. Edição: Genésio Araújo Jr)