CPI DA PANDEMIA: Dia foi marcado por depoimentos emocionados de parentes de mortos pelo covid- governistas reclamara, nas redes sociais, que CPI usou depoimentos para atingirem Bolsonaro e o Governo Federal
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( Publicada originalmente às 14h 28 do dia 18/10/2021)
(Brasília-DF, 19/10/2021) A CPI da Pandemia no Senado ouviu nesta segunda-feira,18, parentes de vítimas da covid-19 que relataram suas experiências durante a crise pandêmica, gerando muita emoção e levando os presentes, em diversos momentos, às lágrimas. Os senadores de oposição e independentes participaram da oitiva mas quase não se manifestaram, enquanto governistas preferiram não participar, porém, nas redes sociais, reclamram que foi criado um cenário para criticar mais ainda o presidente Jair Bolsonaro e o governo federal e sua atuação na pandemia.
O presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM), solidarizou-se com as vítimas. Reafirmou que o objetivo da Comissão "não é vingança, e sim justiça", "para que quem esteja de plantão no poder saiba que o Brasil teve uma pandemia que levou milhares de vidas e as pessoas que foram omissas foram penalizadas por isso". Ele lembrou ataques que a CPI e seus membros sofreram desde o início dos trabalhos.
“Aqueles que falaram que isso aqui era um circo e que nós éramos "palhaços", prestem atenção. Estes "palhaços" estão aqui estão chorando nesse circo de horrores. O objetivo é um só: é fazer justiça por vocês”, disse Omar aos depoentes.
Omar aproveitou a reunião para desmentir que tivesse recebido um telefonema do presidente Jair Bolsonaro, informação divulgada na imprensa.
O relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL), reiterou que pretende incluir no relatório as propostas apoiadas pelas vítimas da covid e pelos senadores durante a reunião.
“Nós pretendemos criar uma pensão para os órfãos cuja renda recomende o pagamento. E pensamos em incluir a covid na relação daquelas doenças que ensejarão a aposentadoria por invalidez quando a perícia médica atestar”, disse Renan.
Parentes fazem depoiamentos emotivos na CPI da Pandemia
Depoimentos
Um dos depoimentos mais tocantes foi o de Giovanna Gomes Mendes da Silva, amazonense de 19 anos. Ela perdeu pai e mãe para a covid e se tornou responsável pelo sustento da irmã de 10 anos.
“Eu vi que eu precisava da minha irmã e ela precisava de mim. A partir daí eu pensei que eu não poderia mais ficar sem ela, então decidi que precisava mesmo ficar com a guarda dela. Eu assumi esse desafio por amor”, disse a depoente.
Katia Shirlene Castilho dos Santos, que perdeu os pais, conveniados da Prevent Senior, em São Paulo, lembrou as duas ocasiões, em março e maio passados, em que Jair Bolsonaro imitou uma pessoa com falta de ar:
“ Quando a gente vê um presidente da República fazer isso, para nós é muito doloroso. Se ele tivesse ideia do mal que faz para a nação, além de todo o mal que já fez, ele não faria isso “, lamentou a testemunha.
Antônio Carlos Costa, fundador da ONG Rio de Paz, destacou a "impressionante falta de empatia" de Bolsonaro, observando que ele "nunca derramou uma lágrima" pelas vítimas.
Márcio Antônio do Nascimento Silva, vindo do Rio de Janeiro, que perdeu um filho para a doença, entregou aos membros da CPI uma caixa com 600 lenços, para representar os mais de 600 mil mortos pela covid no país. Silva ficou conhecido por um episódio que protagonizou na praia de Copacabana, em abril de 2020, quando recolocou na areia cruzes, simbolizando os mortos, que haviam sido chutadas por um aposentado:
“Aquele ato tinha muita indignação. Mas não tinha ódio, nem raiva, pelo contrário, tinha um sentimento de muito amor. O meu ato foi um ato de resistência, porque eu sou de origem quilombola, e já estou acostumado a sentir isso”, explicou.
O jornalista Arquivaldo Bites Leão Leite contou que perdeu o irmão caçula, dois primos, um tio e dois sobrinhos para a covid. Por causa do vírus, ele disse que teve um derrame, perdeu a audição de um dos ouvidos e não consegue se locomover por conta própria.
A gaúcha Rosane Maria dos Santos Brandão, que perdeu o marido na pandemia, pediu que o Senado proponha a formação de uma Comissão "nos moldes da Comissão da Verdade":
“Coloquem um ponto final nesse genocídio. As nossas esperanças estão nesta Casa. Honrem a memória dos mortos. Entreguem um relatório final fiel às barbaridades que foram ouvidas aqui.”, disse
Governistas
O senador Jorginho Mello(PL) disse que iria se manifestar na CPI da Pandemia, hoje, 18, porém recuou pois entendeu que senadores estavam usando da dor das pessoas que perderam parentes na covid-19.
“Eu estava decidido a entrar na sessão da CPI remotamente. Mas desisti. Deu vergonha da forma midiática com que usaram a dor das pessoas. Além disso, me revoltou ver entre os depoentes alguns notórios militantes do PT. Escolhidos a dedo. Tirem as suas conclusões. #CPIDaVergonha”, disse.
O filho do presidente Jair Bolsonaro( sem partido), o senador Flávio Bolsonaro( sem partido-RJ) divulgou vídeo em que disse que as pessoas foram escolhidas a dedo para criticar o pai dele e o governo.
“Vieram para cá hoje com o compromisso de responsabilizar Bolsonaro pelas mortes de seus familiares, por causa da covid, não por causa de Bolsonaro“, afirmou.
“Já foram mais de R$ 621 bilhões de reais investidos no combate à pandemia”, disse. “Todas as vacinas que foram aplicadas no Brasil, sem exceção, foram viabilizadas pelo presidente Bolsonaro. Já foram mais de 310 milhões de doses distribuídas aos Estados”, disse.
( da redação com informações de assessoria. Edição: Genésio Araújo Jr)