Presidente da Assembleia de SP pede desculpa a Papa Francisco, bispo e CNBB; deputado que chamou Francisco de “vagabundo” vai enfrentar representações no Conselho de Ética na Alesp
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( Publicada originalmente às 18h 10 do dia 18/10/2021)
(Brasilia-DF, 19/10/2021) Após o deputado estadual de São Paulo, Frederico d'Avila (PSL), fazer xingamentos ao Papa Francisco e a membros da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), nesta segunda-feira, 18, presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, deputado Carlão Pignatari, se pronunciou na abertura da Sessão Plenária sobre a carta aberta da CNBB que rejeitou o discurso feito no último dia 14 de outubro.
O deputado Carlão Pignatari, num pronunciamento, em nome da Alesp( Assembleia Legislativa de São Paulo), fez um pedido expresso de desculpas ao Papa Francisco e a dom Orlando Brandes, arcebispo de Aparecida, e também à CNBB e a todos os ofendidos pelas palavras do parlamentar, que "não representam a opinião da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo".
Pignatari também recebeu nesta segunda, na sede do Parlamento, o bispo diocesano de Mogi das Cruzes e presidente da Regional Sul da CNBB, dom Pedro Luiz, e o padre Paulo Renato. Eles entregaram em mãos a carta a Carlão Pignatari.
Veja a íntegra da fala do presidente da Alesp:
''Não há como abrir esta sessão de hoje de maneira diferente: Em nome de todo o parlamento paulista, como presidente desta Casa, repudio todo e qualquer uso da palavra que vá além da crítica e que se constitua em ataques, extrapolando os limites da liberdade de expressão e da imunidade parlamentar, concedida aos representantes públicos eleitos.
Aliás, todo excesso no uso da liberdade de expressão acaba por agredir este mesmo direito, pilar fundamental da democracia, que é consagrada como bem maior da sociedade brasileira.
Para o político, o dom da palavra é um direito inalienável. Mas que encontra limites no respeito pessoal e da própria lei. Não comporta, portanto, a irresponsabilidade e o crime.
Da tribuna fala o povo, que por cultura da sociedade brasileira, comunga da união e do amor ao próximo, independentemente do seu credo. A tribuna é ponto de convergência, permitindo opiniões contrárias, mas jamais a pregação do ódio.
Em nome do Parlamento paulista, eu rogo um pedido expresso de desculpas ao Papa Francisco e a dom Orlando Brandes, arcebispo de Aparecida, a quem empregamos nossa mais incondicional solidariedade.
A palavra não é arma para destruição. Ela é um dom. É construção. Todo deputado estadual tem o dever de representar o povo, ouvir as pessoas e fazer valer seu compromisso com São Paulo.
Mas vir à tribuna, lugar mais importante desta assembleia, para proferir ofensas é algo que não pode ser aceito. Em nome do parlamento paulista, é nosso dever o reestabelecimento do respeito, antes de tudo, à democracia.
Peço desculpas também a todos que se sentiram ofendidos pelas palavras que não representam a opinião da Assembleia Legislativa de São Paulo. Acredito que o parlamentar também reconheça seu excesso e o espaço permanece livre para eventual retratação.
Mais uma vez, digo que o nosso compromisso é com a verdade, com o cidadão, com o respeito e com a coerência. E como presidente desta Casa, faço um apelo para que os extremos entendam, de uma vez por todas, que a divergência legitima a democracia. Mas não justificam a barbárie.''
Representatações
Após a fala de D’Ávila, que também é presidente do Aprosoja em São Paulo, associação de produtores de soja que se associaram ao bolsorismo e é acusada de financiar atos do 7 de setembro - já está enfrentando 4 representações no Conselho de Ética da Alesp após sua fala.
Até agora o Conselho de Ética recebeu representações assinadas pelos deputados Carla Morando (PSDB), Emídio de Souza (PT), Luiz Fernando Teixeira (PT) e Paulo Fiorilo (PT) toas contra Á’avila pelo episódio.
( da redação com informações de assessoria. Edição: Genésio Araújo Jr.)