ENERGIA: Nações Unidas, faltando 10 dias para COP22, mostra preocupação com a divulgação que grandes produtores de petróleo deverão avançar na produção nos próximos anos
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( Publicada originalmente às 14h 50 do dia 21/10/2021)
(Brasília-DF, 22/10/2021) Faltando 10 dias para o começo do evento das Nações Unidas( ONU), COP 22 na cidade de Glasgow, na Escócia(31 de outubro a 12 de novembro) a divulgação do Relatório sobre a Lacuna de Produção 2021que mostra como importantes países produtores de petróleo, gás e carvão pretendem avançar em suas produções até 2030 chamou muita atenção. O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, tuitou hoje destacando a responsabilidade que os financiadores devem ter com as energias renováveis.
“Como este relatório mostra claramente, ainda há um longo caminho a percorrer para um futuro de energia limpa. Todos os financiadores - públicos e privados - devem mudar urgentemente seu financiamento do carvão para energias renováveis para acelerar a descarbonização total e o acesso a energia renovável para todos.”, disse o secretário geral.
O Relatório sobre a Lacuna de Produção 2021 foi divulgado nessa quarta-feira e traz detalhes dos planos de governos dos 15 maiores produtores, incluindo Austrália, Brasil, China e Estados Unidos. O perfis mostram que a maioria dos governos continua oferecendo grande apoio político para a produção de combustíveis fósseis.
Brasil
Este é exatamente o caso do Brasil. Apesar do país ter oficialmente a meta de reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 43% até 2030, o Pnuma revela que o governo “encoraja novos investimentos” e planeja aumentar a produção nacional de combustíveis fósseis.
Um levantamento do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, mostra que a produção global de combustíveis fósseis está, de forma muito perigosa, fora de sincronia com as metas estipuladas no Acordo de Paris.
Apesar das ambições demonstradas pelos governos, e por compromissos com emissões zero de carbono, os países preveem produzir, até 2030, petróleo, gás natural e carvão em um volume que é mais do que o dobro do ideal para limitar o aumento da temperatura global a 1,5° Celsius.
O relatório cita o Plano Nacional de Energia 2050, aprovado pelo Ministério das Minas e Energia no ano passado. O projeto mostra que o governo brasileiro tem a intenção de “atrair investimentos para aumentar a produção de petróleo e de gás” e assim, ficar entre os “cinco maiores produtores do mundo”. Pelo plano, a produção de petróleo deve subir 60% e a de gás natural, 110% até 2030.
A diretora-executiva do Pnuma acredita que ainda há tempo para limitar o aquecimento a longo prazo, “mas essa janela de oportunidade está se fechando rapidamente”. Segundo Inger Andersen, os governos devem aproveitar a COP-26 para “tomar medidas imediatas para fechar a lacuna na produção de combustíveis fósseis”.
Os planos produção dos governos levariam a 240% mais carvão, 57% mais petróleo e 71% mais gás em 2030 do que o volume que seria consistente para limitar o aquecimento global a 1,5°C.
O Pnuma revela também que desde o início da pandemia da COVID-19, os países investiram mais de US$ 300 bilhões em novos fundos para atividades de combustíveis fósseis - mais do que eles têm direcionado para fontes de energia renovável.
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O Relatório sobre a Lacuna de Produção 2021 apresenta o perfil de 15 grandes países produtores: Austrália, Brasil, Canadá, China, Alemanha, Índia, Indonésia, México, Noruega, Rússia, Arábia Saudita, África do Sul, Emirados Árabes Unidos, Reino Unido e Estados Unidos. Os perfis dos países mostram que a maioria desses governos continua a fornecer apoio político significativo para a produção de combustíveis fósseis.
"A pesquisa é clara: a produção global de carvão, petróleo e gás deve começar a declinar imediatamente e de forma acentuada para ser consistente com a limitação do aquecimento a longo prazo a 1,5°C", afirma Ploy Achakulwisut, um dos principais autores do relatório e cientista do SEI. "Entretanto, os governos continuam a planejar e apoiar níveis de produção de combustível fóssil que são muito superiores ao que podemos queimar com segurança".
As principais conclusões do relatório incluem:
Os governos do mundo planejam produzir cerca de 110% mais combustíveis fósseis em 2030 do que seria consistente com a limitação do aquecimento a 1,5°C, e 45% mais do que consistente com 2°C. O tamanho da lacuna de produção permaneceu em grande parte inalterado em comparação com nossas avaliações anteriores.
Os planos e projeções de produção dos governos levariam a cerca de 240% mais carvão, 57% mais petróleo e 71% mais gás em 2030 do que seria consistente com a limitação do aquecimento global a 1,5°C.
A produção global de gás é projetada para aumentar mais entre 2020 e 2040 com base nos planos dos governos. Esta expansão global contínua e de longo prazo na produção de gás é inconsistente com os limites de temperatura do Acordo de Paris.
Desde o início da pandemia da COVID-19, os países direcionaram mais de 300 bilhões de dólares em novos fundos para as atividades de combustíveis fósseis - mais do que eles têm direcionado para energia limpa.
Em contraste, as finanças públicas internacionais para a produção de combustíveis fósseis dos países do G20 e dos principais bancos multilaterais de desenvolvimento (MDBs, na sigla em inglês) diminuíram significativamente nos últimos anos; um terço dos MDBs e das instituições financeiras de desenvolvimento (DFIs, na sigla em inglês) do G20, por tamanho de ativos, adotaram políticas que excluem as atividades de produção de combustíveis fósseis do financiamento futuro.
Informações verificáveis e comparáveis sobre a produção de combustíveis fósseis e apoio - tanto de governos como de empresas - são essenciais para lidar com a lacuna de produção.
"Os primeiros esforços das instituições financeiras de desenvolvimento para cortar o apoio internacional à produção de combustíveis fósseis são encorajadores, mas estas mudanças precisam ser seguidas por políticas concretas e ambiciosas de eliminação progressiva dos combustíveis fósseis para limitar o aquecimento global a 1,5°C", diz Lucile Dufour, Assessora Sênior de Políticas do Instituto Internacional para o Desenvolvimento Sustentável (IISD, na sigla em inglês).
"As nações produtoras de combustíveis fósseis devem reconhecer seu papel e responsabilidade em fechar a lacuna de produção e nos orientar para um futuro climático seguro", diz Måns Nilsson, diretor executivo do SEI. "À medida que os países se comprometem cada vez mais com as emissões líquidas zero até meados do século, eles também precisam reconhecer a rápida redução na produção de combustíveis fósseis que suas metas climáticas exigirão".
O relatório é produzido pelo Instituto Ambiental de Estocolmo (SEI), Instituto Internacional para o Desenvolvimento Sustentável (IISD), Instituto de Desenvolvimento Internacional (ODI, em inglês), E3G, e o PNUMA. Mais de 40 pesquisadores contribuíram para a análise e revisão, abrangendo numerosas universidades, grupos de reflexão e outras organizações de pesquisa.
( da redação com informações de assessoria. Edição: Genésio Araújo Jr)